Escuta ativa: o que realmente acontece quando alguém te escuta
Atualizado: 21 de abr.
Na psicanálise, escutar não é apenas ouvir o que é dito. É sustentar um espaço onde algo possa ser dito de outra forma.
No atendimento, não se trata de dar respostas prontas nem de orientar o que você deve fazer. A proposta é outra: criar as condições para que você se escute. Muitas vezes, aquilo que mais insiste na vida, como sintomas, repetições e conflitos, não está totalmente acessível à consciência. É justamente aí que o trabalho acontece.

A partir de uma orientação lacaniana, trabalho com uma escuta atenta aos detalhes, às pausas, às contradições, ao que escapa. Não apenas ao conteúdo da fala, mas à forma como cada história se constrói. É nesse entrelinhas que algo do inconsciente se manifesta.
Ao longo do processo, você pode começar a perceber padrões que antes passavam despercebidos. Certas escolhas, formas de se relacionar, dificuldades com o corpo, com a alimentação ou com as emoções deixam de ser apenas um problema e passam a ser uma via de acesso à própria história.
Não se trata de corrigir comportamentos, mas de construir um outro lugar diante daquilo que se vive. Um lugar com mais consciência, menos automatismo e, muitas vezes, menos sofrimento.
Esse tipo de escuta exige tempo, implicação e, sobretudo, um espaço onde seja possível falar sem ser reduzido a rótulos ou julgamentos.
Se algo na sua vida se repete, se o corpo fala de um jeito que você não entende, ou se há questões que insistem sem encontrar resposta, talvez não seja falta de solução, mas falta de escuta.


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