Escutar não é apenas ouvir
Escutar não é simplesmente ouvir aquilo que alguém diz.

Na psicanálise, a escuta também se volta para as pausas, as repetições, as contradições, as palavras que escolhemos e aquelas que parecem escapar. Há momentos em que dizemos algo sem perceber exatamente o que estamos dizendo. Outras vezes, repetimos histórias, escolhas ou formas de nos relacionar sem compreender por que determinados caminhos parecem se apresentar novamente.
A escuta psicanalítica não procura oferecer respostas prontas ou indicar o que alguém deveria fazer. Ela sustenta um espaço para que cada pessoa possa falar e, a partir da própria fala, aproximar-se de questões que talvez ainda não tenham encontrado um sentido.
Aquilo que parece pequeno, contraditório ou até mesmo sem importância pode ganhar outro significado quando é colocado em palavras. E, nesse movimento, algo da própria história pode começar a ser percebido de uma maneira diferente.
Escutar também é dar tempo ao que ainda não pode ser compreendido imediatamente.
Talvez seja por isso que, na psicanálise, falar não seja apenas contar uma história. É também uma possibilidade de descobrir, nas próprias palavras, algo que ainda não sabíamos sobre nós mesmos.



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